Líderes empresariais fazem chamado para zerar emissões de gases de efeito estufa até 2050

Os líderes empresariais globais reunidos no B-Team, iniciativa que busca promover melhores formas de fazer negócios, demandaram hoje dos líderes políticos de todo o mundo que se comprometam em zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) até 2050. O B-Team também demandou dos demais líderes empresariais globais que se juntem a esta visão e se comprometam com metas ousadas de longo prazo.

A meta proposta pelo B-Team baseia-se nas recentes negociações feitas durante a Cúpula do Clima de Lima, a COP-20, e se fundamenta nas avaliações da ciência climática, nos riscos aos negócios e nos custos econômicos trazidos pelo não cumprimento da meta de limitação do aquecimento global em 2°C acordada anteriormente.

A recente avaliação feita pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu que zerar a emissão líquida de gases de efeito estufa até 2100 só nos daria 66% de chances de limitar o aquecimento global em 2°C. O B-Team acredita que uma em três chances de fracasso é um cenário de risco razoável, com implicações significativas nos custos, o que fortalece a reivindicação do mundo dos negócios para que todos trabalhem para reduzir as emissões líquidas de GEE a zero até 2050.

As empresas já incorrem em custos gerados pelas mudanças climáticas criados pelo aumento da frequência de interrupções das cadeias de fornecimento por eventos climáticos extremos, pela elevação do nível do mar e pela acidificação dos oceanos, pela queda de rendimento das culturas agrícolas e pelo aumento da desertificação. Ao mesmo tempo, as populações mais pobres e vulneráveis do mundo – que são desproporcionalmente afetadas e menos equipados para lidar com o problema – estão sendo as mais atingidas.

O B-Team acredita que a transição para uma economia de emissões líquidas zeradas é uma oportunidade histórica que, se administrada com responsabilidade, de forma justa e colaborativa, trará benefícios econômicos para os países de todos os níveis de renda, que incluem novos postos de trabalho, um ar mais limpo, melhor saúde, menos pobreza e maior segurança energética.

Líderes dos governos de todo o mundo devem se encontrar em Paris na COP21 em dezembro de 2015 para negociar um novo acordo global e este processo se inicia com negociações antecipadas em Genebra na próxima semana. A Reunião de Cúpula de dezembro será um momento decisivo na história da humanidade, e existem grandes esperanças de que se chegue a um acordo ambicioso que substitua o Protocolo de Kyoto e limite o aumento da temperatura média em 2°C.

“A criação de mecanismos para acabar com o desmatamento e promover a regeneração do meio ambiente” como “uma das maneiras mais eficazes para zerar as emissões líquidas”. – Guilherme Leal, líder brasileiro do B-Team e co-fundador da Natura.

Isso exigirá que as empresas unam forças com os governos para ajudar a impulsionar a transição, pelo estabelecimento de metas nacionais claras e o desenvolvimento de políticas que permitam deslocar capitais para alternativas livres de carbono e ajudem a levar a uma prosperidade inclusiva sustentável para todos.

Para a coordenadora das negociações climáticas globais e secretária executiva da Convenção do Clima (UNFCCC), Christiana Figueres, “a meta de emissões líquidas zero até 2050 apresentada pelo B-Team desencadeará uma onda de ambição e de ação, mudará a aplicação do capital e criará enorme crescimento do emprego”.

O líder do B-Team e CEO da Unilever, Paul Polman, incentivou outros líderes a seguir o exemplo: “A meta de redução das emissões líquidas a zero até 2050 não é apenas desejável, mas necessária. Este é o momento de redobrar nossos esforços e acelerar ainda mais a descarbonização da nossa economia. Não vai ser fácil, mas quanto mais cedo agirmos maiores serão as oportunidades econômicas”.

Para Mary Robinson, Enviada Especial das Nações Unidas para a Mudança do Clima, “a transição para a emissão zero só terá êxito se for feita de maneira justa. A tecnologia necessária para o desenvolvimento sustentável deve ser disponível e acessível a todos os países. Sem isso, os países em desenvolvimento não terão alternativa senão seguirem usando fontes sujas de energia no seu processo de desenvolvimento, o que os amarrará em longo prazo a infraestruturas baseadas em combustíveis fósseis, e nós vamos falhar na tentativa de garantir um clima futuro seguro. Mas, se conseguirmos, vamos fazer muito mais do que estabilizar o clima – vamos disponibilizar energia sustentável para todos, pôr fim à pobreza, melhorar a saúde global e criar um mundo mais próspero para os nossos filhos e netos”.

Richard Branson, fundador do Virgin Group e Co-Presidente do B-Team disse que “tomar medidas ousadas no combate às mudanças climáticas simplesmente faz sentido para os negócios. Também é a coisa certa a fazer para as pessoas e para o planeta. Definir como meta emissões líquidas zeradas até 2050 impulsionará a inovação, aumentará empregos, construirá prosperidade e garantirá um mundo melhor para as 9 bilhões de pessoas que em breve seremos. Por que deveríamos esperar mais tempo para fazer isso? É hora de unirmos forças e promover a transição para uma economia próspera com emissões líquidas zeradas em 2050”.

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