Reunião do G7 termina com compromisso por um economia de baixo carbono

Os líderes do G7 (países mais ricos do mundo) terminaram sua reunião anual hoje, na Alemanha, com um anúncio histórico que potencialmente assinala o fim da era do combustível fóssil, naquilo que deve se transformar em um importante marco no caminho para um novo acordo climático em Paris.

Em resumo, os líderes do G7:

– Chegaram a um acordo para a tradução da meta de 2oC de aquecimento global máximo acordada internacionalmente nos seguintes objetivos concretos:

  1. a economia deve ser descarbonizada ao longo do século
  2. até 2050 deve-se conseguir uma redução de emissões de gases de efeito estufa de 40% a 70%;
  3. a transformação dos setores energéticos dos países do G7 até 2050.

– Confirmaram a importância da construção de regras vinculantes que sustentem a integridade do acordo climático que deve ser feito em Paris no final deste ano e apoiaram a definição de ciclos regulares de revisão das metas de redução de emissões (ambição, no jargão das negociações).

– Concordaram em fornecer seguro e proteção para os países mais pobres e vulneráveis ​​contra os impactos das mudanças climáticas.

– Concordaram em acelerar o acesso a energias renováveis na África.

– Concordaram em apoiar o progresso continuado no âmbito da OCDE sobre a forma como os créditos à exportação podem contribuir para o combate às mudanças climáticas.

A anúncio do G7 gerou reações positivas e novos questionamentos entre representantes de ONGs, empresas e comunidade científica. Algumas destas reações:

– Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima: “A ambição e a urgência declaradas pelos países mais ricos do G7 não corresponde aos compromissos colocados na mesa por EUA, União Europeia e Canadá e ao que o Japão tem sinalizado que fará. Alguém precisa virar esse jogo, e quem está em melhores condições de fazer isso com ganhos para a economia é o Brasil”.

Nick Maybe, CEO da E3G: “Os líderes do G7 manifestaram claramente esperança em mudar o padrão da política internacional do clima, com relação ao qual estiveram com o pé atrás. Ao concordar em descarbonizar a economia global dentro de um sistema de regras rigorosas, eles estabeleceram um benchmark para as economias emergentes, como a China, a Índia e o Brasil. O novo compromisso de atendimento de promessas financeiras e fornecimento de seguro para as nações mais pobres e vulneráveis aos impactos do ​​clima em transformação também tem o objetivo de construir pontes com os países mais pobres”.

Christoph Bals, diretor de políticas da Germanwatch: “O G7 hoje colocou firmemente o fim da era dos combustíveis fósseis na agenda política global. Todos os países do G7 comprometeram-se com a transição para uma economia de baixo carbono, e com o apoio à implantação das energias renováveis ​​nos países em desenvolvimento. Com isto, a Cúpula do G7 envia um sinal forte para o sucesso do acordo climático que deve ser feito em Paris no final deste ano”. Um briefing abrangente feito pelo Germanwatch sobre resultados do G7 na área de clima está anexo a esta mensagem.

Jennifer Morgan, diretora do Programa Global do Clima do World Resources Institute: “Hoje, pela primeira vez, os líderes do G7 se manifestaram a favor de uma meta de longo prazo para descarbonizar a economia global. Esta meta evidenciará às corporações e aos mercados financeiros que os investimentos mais lucrativos resultarão de tecnologias de baixo carbono. Esta meta deve ser também um elemento-chave de um acordo climático internacional ambicioso”. “Os líderes do G7 chegaram a um conjunto de decisões que sinalizam uma mudança importante na ajuda internacional ao desenvolvimento e nos investimentos em projetos de energia limpa resistentes ao clima. Seu compromisso em aumentar o acesso às energias renováveis na África e em abordar os riscos trazidos pelos eventos climáticos extremos ajudará a construir a confiança com os países em desenvolvimento o que deve ajudará as negociações sobre o clima em Paris”.

Samantha Smith, líder da Iniciativa Global de Clima e Energia do WWF: “O G7 acertou no caminho, mas é preciso mais velocidade, ambição e ações específicas. Os países em desenvolvimento estão prontos para moverem-se rapidamente e com ambição em direção às energias renováveis, mas para tal, eles precisam de financiamento e da tecnologia dos países ricos. Precisamos ver mais desses compromissos concretos de ação imediata. Nós também queremos vê-los mudando o investimento para tecnologias de baixo carbono em seus próprios países”.

Tim Gore, líder da Oxfam para a política de mudança climática: “Os líderes do G7 ainda não estão sendo definitivos sobre como manterão sua promessa de investir US$ 100 bilhões até 2020 em ajuda internacional na questão das mudanças climáticas. Eles falharam em se comprometer a aumentar os fundos públicos, que são um alicerce fundamental para o sucesso do acordo de Paris, os países em desenvolvimento precisam de um roteiro financeiro crível, não um conjunto de truques contábeis. Felizmente Angela Merkel contrariou a tendência. Sua promessa de dobrar financiamento climático da Alemanha colocou um limite inferior para os outros. Agora, os demais devem seguir seu exemplo. Até agora os países ricos oferecem somente 2% do que os países pobres precisam para se adaptarem a um clima em mudança”.

Nigel Topping, CEO da We Mean Business: “Os líderes do G7 disseram a empresas e investidores que a descarbonização da economia global ocorrerá neste século. Este é o sinal de que precisávamos urgentemente para catalisar a ação climática. Agora governos e empresas têm um trabalho importante a fazer. Comprometemo-nos a trabalhar com os governos do G7 para alcançar uma economia de baixa emissão de carbono, resistente às alterações climáticas neste século, escalando nossa ação climática. Por sua vez, os governos devem concluir um acordo climático global em dezembro em Paris que amplifique essa transformação. Como deixamos claro para Líderes do G7 em nossa carta – nós sabemos que, ao longo dos próximos 15 anos, mais de US$ 90 trilhões dólares serão investidos em infraestrutura nas cidades, no uso da terra e em energia. Um objetivo claro de longo prazo para a descarbonização da economia no acordo de Paris, tal como emissões líquidas zero de gases de efeito estufa antes do final do século, vai dirigir estes investimentos ao baixo carbono e vai evitar riscos climáticos incontroláveis”. A declaração completa do WMB está anexa a esta mensagem.

Toby Heaps, CEO e co-fundador da Corporate Knights Inc.: “o acordo no sentido de acabar com a queima de combustíveis fósseis entre os países do G7 é um sinal forte aos mercados de capitais globais e irá acelerar a implantação das energias renováveis ​​e tecnologias de armazenamento”.

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